Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

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domingo, 9 de junho de 2013

...Às vielas do Casal

Das vielas do Cancelo
às vielas do Casal
Tudo diz em tom singelo
Lebução é Portugal...











quarta-feira, 14 de abril de 2010

A cultura tradicional do linho em Lebução


A cultura do linho, para além de constituir um valioso recurso, cuja utilização ia do vestuário à medicina e culinária, ocupava um lugar de destaque na vida das comunidades rurais. O seu cultivo estava rodeado de rituais, lendas, práticas de cultivo, cantares, que ainda hoje fazem parte da memória colectiva dessas comunidades…
Mantendo uma ligação perfeita com o meio envolvente, esta planta teve, há largos anos, grande importância no concelho, nomeadamente em Lebução.
“A sensação de abundância é-nos dada pelos belos Linhares e lameiros, à volta da povoação…” Referência a esta terra, na Monografia de Valpaços, do Dr. Veloso Martins. Esses Linhares que ainda existem, mais não são do que terrenos férteis, adequados à cultura do linho.
Era uma cultura feminina pois todo o seu cultivo passava pelas mãos da mulher:
(semear, mondar, regar, arrancar, ripar, curtir, secar, moer, espadar, assedar, fiar, ensarilhar, barrelar, dobar, urdir e tecer).
Aqui, os vários processos pela qual a matéria-prima tem de passar até chegar à última fase que é o tear onde se converte numa bela peça de linho.
Esse linho que era usado em toda a espécie de vestuário, desde a toalha branca que acompanhava a criança ao baptismo até ao lençol que amortalhava os defuntos.
Também usado na Igreja, que sempre foi buscar à natureza os tecidos mais puros, nas toalhas, alvas, corporais e sanguinhos.
Dos desperdícios do linho fazia-se a estopa, para tecidos mais grosseiros - camisas de homem e lençóis. Dos desperdícios da estopa fazia-se os tomentos, tecido muito grosseiro, utilizado na confecção dos colchões.




Linho fresco florindo
Bendita flor por nosso amor abrindo
Cresce e floresce por graça do amor
E fiado serás
E alvo como a tua alma ficarás
Alvo ou trigueiro
Que rico cheiro!
E fiado serás
E com frescor as chagas cobrirás
Santa frescura
Consola e cura
E fiado serás
E nossos mortos amortalharás
Linho ou estamenha
Deus lá os tenha
(Afonso Lopes Vieira)




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Lebução a Minha Terra


Esta é a principal porta de entrada para Lebução, aldeia de Trás-os-Montes, onde o sol nasce por entre montanhas que a guardam e a protegem através dos tempos. Terra de gente franca e acolhedora, que abre a porta de casa para receber à boa maneira transmontana e que, vergada sobre o peso da enxada, faz nascer, na terra, o pão de cada dia.

A Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!


Miguel Torga

domingo, 18 de outubro de 2009

Canção de Lebução



...Cenário de altas montanhas

A nossa terra natal

Onde findam as espanhas

E começa Portugal...


...Depois há festa

Com foguetes a estalar

E colgaduras nos prédios

Que a Senhora dos Remédios

Vem à rua abençoar...

Canção de Lebução (Original)


Canção de Lebução

Esta relíquia, com história, que a seguir transcrevo, já ultrapassou as três décadas. Foi ouvida pela primeira vez no dia dez de Setembro de 1972, por ocasião das festas de Nossa Senhora dos Remédios, entoada por uma banda musical.
É um hino a Lebução que Armindo Augusto Alves, imaginou, concebeu e mandou produzir, homenageando, assim, a sua terra natal.
Amigo da sua terra, como poucos, por condicionalismos da vida esteve ausente durante anos. No regresso construíu uma casa e, aqui passava grande parte do seu tempo, umas vezes só, outras acompanhado pela família. Era em Lebução que ele se sentia bem. Aqui ele era feliz.
Partiu cedo e deixou muitas saudades.






Canção Marcha de Lebução


Cenário de altas montanhas
A nossa Terra Natal
Onde findam as Espanhas
E começa Portugal!
Por isso eu digo
Com orgulho e altivez
Meu querido Lebução
És oásis da Nação
No Nordeste Português!

Estribilho
Das vielas do cancelo
Às vielas do casal
Tudo diz, em tom singelo,
Lebução é Portugal!
E desde o Senhor dos Fortes
Ao Senhor de lá de cima
Não há fracos nem há fortes
Tudo canta a mesma rima!

Vamos todos a Valpaços
Pedir conselho ao Concelho
Unidos no mesmo abraço
Bairro Novo e Bairro Velho.
Depois há festa
Com foguetes a estalar
E colgaduras nos prédios
Que a Senhora dos Remédios
Vem à rua abençoar
Segue estribilho.

FIM

Poema: Ivo de Melo
Música: Pinto de Sousa