
Santo António, São João e São Pedro.
Há apenas um, que chega com o frio - São Martinho, que associamos à prova do vinho novo e às castanhas.
Martinho nasceu no séc. IV em 316 ou 317 D.C. Terá sido baptizado, por volta do ano 339. São mais de 1600 anos de popularidade.
A vida de São Martinho foi dedicada à pregação. Como era prática no tempo, mandou destruir templos de deuses considerados pagãos, introduziu festas religiosas cristãs e defende a independência da Igreja do poder político, atitude muito avançado para a época.
Nem sempre a sua acção foi bem aceite, daí ter sido repudiado, e, por vezes, maltratado.
Em 357 Martinho é dispensado oficialmente do exército e continua a espalhar a sua fé.
Morre em Candes, no dia 8 de Novembro do ano de 397 e o seu corpo foi acompanhado por 2000 monges, muito povo e mulheres devotas. Chega à cidade de Tours no dia 11 de Novembro. O seu culto começou logo após a sua morte.
Em 444 foi elevada uma capela no local.
Não foram só as gentes das Gálias que o veneraram. O seu culto espalhou-se por todo o Ocidente e parte do Oriente. Na cidade francesa de Tours, foi erguida uma enorme basílica entre 458 e 489 que viria a ser lugar de peregrinação, durante séculos.
Em França há perto de 300 cidades e povoações com o nome de São Martinho e, em Portugal, numa breve contagem, descobrimos 60 ( S. Martinho de Anta, S. Martinho do Porto, S. Martinho do Bispo, S. Martinho do Campo, S. Martinho de Mouros... É, no entanto, importante frisar que nem todas serão evocações de São Martinho, o soldado romano que dividiu a capa com o mendigo, mas também de São Martinho de Dume, originário da Hungria (séc. VI).
Por toda a Europa os festejos em honra de São Martinho estão relacionados com cultos da terra, das previsões do ano agrícola, com festas e canções desejando abundância e, nos países vinícolas, do Sul da Europa, com o vinho novo e a água-pé. Daí os adágios «Pelo São Martinho vai à adega e prova o teu vinho» ou «Castanhas e vinho pelo São Martinho».


