Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

Mostrar mensagens com a etiqueta faiões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta faiões. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de junho de 2019

domingo, 22 de outubro de 2017

Faiões, uma terra que eu amo



Esta aldeia, eclesiasticamente, pertence à paróquia de Santo Estêvão. Leite de Vasconcelos é de opinião que o nome da aldeia possa provir de um genitivo germânico de grande antiguidade. Outros historiadores opinam que Faião era o aumentativo de faia. Seja qual for a origem ela perde se na antiguidade dos tempos passados. Foi nos princípios da monarquia portuguesa Couto dos arcebispos de Braga, talvez em 1213, quando foi prelado bracarense, Estevão Soares da Silva, adversário de Afonso II, partidário das infantas suas irmãs. É bem provável que Afonso IX, rei de Leão, após a tomada do Castelo de Santo Estêvão, tivesse feito essa oferta para captar as simpatias e passar a ter do seu lado tão grandes e nobres senhores.
Foi por Faiões que outrora passou a via romana, vendo se ainda vestígios no seu pavimento. Mais antigo ainda é o castro situado nas cumeadas da Montanha do Corgo, sobranceiras a Faiões.
Apareceram também, ao longo dos tempos, objectos característicos do período neolítico. Este povoado revela assim que teria ultrapassado os tempos para além da história. Esses objectos foram encontrados quando os agricultores, na sua labuta diária foram revolvendo as férteis terras que produzem, em abundância, todos os frutos próprios da região.
Na veiga, perto da aldeia, ao lado da denominada Carreira da Pedra, onde foi encontrada, em Maio de 1975, a estátua menir de Faiões, cujos contornos definem a figura humana, conta a tradição que existe uma cidade submersa e que na lagoa, nos tempos de tempestade, aparecem restos de navios".
Possui o povoado, várias casas solarengas e a igreja de devoção a São Martinho.
É desta localidade o notável benemérito Dr. António Luiz de Morais Sarmento`, que mandou construir uma escola e um bairro social para operários`.
De Faiões foi o último enforcado, José Calças, justiçado no Largo do Tabulado de Chaves, pelo último carrasco, Luís Negro, de Capeludos de Aguiar. Poucos dias depois de ser executado, foi abolida a pena de morte em Portugal, sendo este triste facto histórico que chamou a atenção do mundo civilizado para a lei que então vigorava e possivelmente foi determinante para a extinção da pena de morte neste país. Sobre este facto romanceou Camilo num dos seus muitos livros.
















































terça-feira, 11 de abril de 2017

A minha roseira amarela que veio de Faiões





A minha roseira amarela, sim, aquela que veio de Faiões, um palmo de ramo, cresceu, trepou, e depressa tomou conta do quintal, está assim, pejadinha de flores, nesta Primavera dos nossos encantos. E continua a abrir caminho, sem que nada a detenha. Invadiu árvores e arbustos, rastejou, trepou troncos e paredes, subiu a telhados. É uma roseira irreverente e muito determinada.
Também conheço gente assim.















































domingo, 15 de abril de 2012

As amêndoas e a tia Maria Teresa





A Páscoa já passou!

Ovos e mais ovos, coelhos e coelhinhos, amêndoas muitas amêndoas, de chocolate, branco, castanho ou negro, com mais ou menos leite, com recheio, sem recheio, com mais ou menos açúcar, com brindes e sem brindes, para todos os gostos. É a Páscoa que inventaram, nesta negociata de coelhos e ovos, de chocolate e açúcar, de ofertas, de consumo, em suma.

Se é de amêndoas que estamos a falar, lembro que recebi, há dias atrás, uma caixinha delas, de várias cores e feitios, recheadas de recordações, de afectos, de mimos, de saudades, que me fez viajar no tempo e despertar emoções. Esta caixinha reportou-me a outros tempos e lugares, onde a figura da tia Maria Teresa, a irmã mais velha do meu pai, estava presente.

Foram dezenas de embalagens, diferentes desta, mas com idêntico conteúdo, mais requintado, talvez, que eu recebi da tia Maria Teresa, ela a tia mais doce do que todas as amêndoas com recheio.

Estamos em Faiões, onde os meus pais e a tia se juntavam, no Verão, para saborear e levar a melhor fruta que se podia desejar. Corriam as vinhas à procura da uva morango que a tia tanto apreciava! E eu, miúda, esperava a tia, que sempre vinha carregada de mimos, onde nunca faltavam as célebres amêndoas recheadas, com diversas formas e cores. Depois, sentada junto duma videira, ia saboreando os feijões, os sinos os meninos no berço, junto com os bagos de uva que ia cortando, numa combinação perfeita.

O tempo passou e em Faiões as vinhas já secaram há muito, pouco depois da partida dos donos...

A tia Maria Teresa, a tia mais doce do que toneladas de amêndoas com recheio, já não se encontra entre nós. Mas eu jamais esquecerei esses mimos, esses beijos, em forma de amêndoa com recheio...