Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

Mostrar mensagens com a etiqueta s. martinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta s. martinho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Castanhas no S. Martinho



Na Praça da Figueira,

ou no Jardim da Estrela,

num fogareiro aceso é que ele arde.

Ao canto do Outono à esquina do Inverno,

o homem das castanhas é eterno.

Não tem eira nem beira, nem guarida,

e apregoa como um desafio.




É um cartucho pardo a sua vida,

e, se não mata a fome, mata o frio.

Um carro que se empurra,

um chapéu esburacado,

no peito uma castanha que não arde.

Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado

o homem que apregoa ao fim da tarde.

Ao pé dum candeeiro acaba o dia,

voz rouca com o travo da pobreza.

Apregoa pedaços de alegria,

e à noite vai dormir com a tristeza.




Quem quer quentes e boas, quentinhas?

A estalarem cinzentas, na brasa.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?

Quem compra leva mais calor p'ra casa.




A mágoa que transporta a miséria ambulante,

passeia na cidade o dia inteiro.

É como se empurrasse o Outono diante;

é como se empurrasse o nevoeiro.

Quem sabe a desventura do seu fado?

Quem olha para o homem das castanhas?

Nunca ninguém pensou que ali ao lado

ardem no fogareiro dores tamanhas.




Quem quer quentes e boas, quentinhas?

A estalarem cinzentas, na brasa.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?

Quem compra leva mais amor p'ra casa.

Poema de Ary dos Santos










quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Santo do Inverno que traz o Verão - S. Martinho


Os Santos populares, no nosso país, são festejados no tempo quente de Verão:
Santo António, São João e São Pedro.
Há apenas um, que chega com o frio - São Martinho, que associamos à prova do vinho novo e às castanhas.
Martinho nasceu no séc. IV em 316 ou 317 D.C. Terá sido baptizado, por volta do ano 339. São mais de 1600 anos de popularidade.
A vida de São Martinho foi dedicada à pregação. Como era prática no tempo, mandou destruir templos de deuses considerados pagãos, introduziu festas religiosas cristãs e defende a independência da Igreja do poder político, atitude muito avançado para a época.
Nem sempre a sua acção foi bem aceite, daí ter sido repudiado, e, por vezes, maltratado.
Em 357 Martinho é dispensado oficialmente do exército e continua a espalhar a sua fé.
Morre em Candes, no dia 8 de Novembro do ano de 397 e o seu corpo foi acompanhado por 2000 monges, muito povo e mulheres devotas. Chega à cidade de Tours no dia 11 de Novembro. O seu culto começou logo após a sua morte.
Em 444 foi elevada uma capela no local.
Não foram só as gentes das Gálias que o veneraram. O seu culto espalhou-se por todo o Ocidente e parte do Oriente. Na cidade francesa de Tours, foi erguida uma enorme basílica entre 458 e 489 que viria a ser lugar de peregrinação, durante séculos.
Em França há perto de 300 cidades e povoações com o nome de São Martinho e, em Portugal, numa breve contagem, descobrimos 60 ( S. Martinho de Anta, S. Martinho do Porto, S. Martinho do Bispo, S. Martinho do Campo, S. Martinho de Mouros... É, no entanto, importante frisar que nem todas serão evocações de São Martinho, o soldado romano que dividiu a capa com o mendigo, mas também de São Martinho de Dume, originário da Hungria (séc. VI).
Por toda a Europa os festejos em honra de São Martinho estão relacionados com cultos da terra, das previsões do ano agrícola, com festas e canções desejando abundância e, nos países vinícolas, do Sul da Europa, com o vinho novo e a água-pé. Daí os adágios «Pelo São Martinho vai à adega e prova o teu vinho» ou «Castanhas e vinho pelo São Martinho».



O meu rico S. Martinho
É tão farrista que até,
Faz cantar o Zé-povinho
Com dois copos d’água-pé.


Foi cavaleiro romano
Com aprumo e distinção,
Chega sempre ao fim do ano
Com solzinho de Verão.


Em Novembro sorridente
Vem lembrar suas façanhas,
Canta e dança alegremente
Ao estoiro das castanhas.


Tem uma noite de alegria
Misturado com o povo
Que celebra com folia
A festa do vinho novo.


Nossa malta perturbada
Anda levada da breca
A comer castanha assada
E a beber pela caneca.

Como é bom viver assim,
Sem da crise termos susto,
Nesta noite sem ter fim
À volta deste magusto.


E o povo na brincadeira
Vai ficando coradinho,
Durante a noite inteira
A saudar o S. Martinho.


(Autor desconhecido)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Universidade Sénior de Valpaços festejou o S. Martinho


S. Martinho foi, durante toda a Idade Média e até uma época recente, o santo mais popular de França. O seu túmulo, abrigado desde o séc. V por uma Catedral em Tours, era o maior centro de peregrinação de toda a Europa Ocidental. A sua generosidade e humildade, aliadas a uma enorme fama de milagreiro fizeram dele um dos santos mais queridos da população. E ainda hoje o seu espírito de partilha é fonte de inspiração.
São Martinho é santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, dos produtores de vinho e orago de uma série infindável de localidades de Beli Benastir, na Croácia, a Buenos Aires, na Argentina passando, evidentemente, por numerosíssimas sítios de Norte a Sul de Portugal.
O facto de o seu dia coincidir com a época do ano em que se celebra o culto dos antepassados e com a altura do calendário rural em que terminam os trabalhos agrícolas e se começa a usufruir das colheitas (do vinho, dos frutos, dos animais) leva a que a festa deste Santo tenha toda uma componente de exuberância que actualmente tende a prevalecer.

Assim, em Portugal, o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas dos locais de culto, e o seu espírito de solidariedade lembrado, quanto mais não seja, através do relato do episódio em que partilhou a sua capa com um pobre; mas de resto, e por todo o lado, as pessoas andam ocupadas, como relatam provérbios sobre o S. Martinho : assam-se castanhas, prova-se o vinho...
Na Universidade Sénior de Valpaços celebrou-se este dia como manda a tradição. Houve festa com castanhas, vinho, sardinhas, fêveras e mais petiscos confeccionados por todos, num espírito de animação e entreajuda. Houve componente cultural onde se falou, num discurso sábio e aberto, da data, do Santo, das castanhas, do castanheiro e do vinho. Foram referenciados provérbios alusivos, adivinhas e lenga-lengas, tudo em nome da data que estávamos a celebrar.
Num ambiente de animação, deu-se as boas-vindas aos caloiros, colocando -lhes colares alegóricos.
As comemorações continuaram com um lanche/jantar que se prolongou até às tantas...
No final foi servido um apetitoso caldo verde, ao som da concertina, do bombo e dos ferrinhos.
O S. Martinho na Universidade Sénior de Valpaços, vai ser um dia para recordar!

A Menina mais Bonita da Festa




Adicionar imagem