Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

quinta-feira, 23 de março de 2017

Foi caindo de mansinho a neve branca e gelada



Foi caindo de mansinho
A neve branca e gelada
Não há monte nem caminho 
Que não sinta esta nevada!


São farrapos, farrapinhos
Caem do céu em bailado
Pintam de branco os caminhos
Fica tudo branqueado!

Manuela Vaz de Carvalho















































quarta-feira, 22 de março de 2017

Cai neve na minha terra, em plena Primavera



Não mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta.
Onde eu exatamente me encontro?
O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice.
O tempo é irrealizável.
Provisoriamente o tempo parou para mim.
Provisoriamente.
Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.
O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar.
Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minha necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.
Hoje, que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. 
O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida.
Acredito que eu consegui fazê-lo.
Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.
Não desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.

Simone de Beauvoir

















































sábado, 18 de março de 2017

Há sempre um motivo para partirmos à descoberta das terras de Valpaços





Há sempre um motivo para partirmos à descoberta das terras de Valpaços, em Trás-os-Montes, este Reino Maravilhoso que Miguel Torga cantou como ninguém. Ontem foi dia de vaguear por lugares que me são muito gratos, pelas memórias que guardam do passado.
Fornos do Pinhal, Santa Valha, Barreiros e Sonim foram os lugares por onde andámos, que mereciam uma visita mais demorada, mas o tempo foi pouco para tão atraente e diversificado percurso, e tão agradável companhia.
Entrámos por ruas e ruelas, caminhos estreitos bordados de granito tosco e admirámos vestígios arqueológicos, artefactos utilizados, outrora, na agricultura, nomeadamente na cultura do vinho e do azeite e que perduram na memória do povo que os concebeu e utilizou e num museu de nome Memórias.
Deslumbrámo-nos com a arte estampada nas paredes das varandas da casa de um professor, que também foi pintor, retratista, caricaturista, poeta, artesão, lavrador, humorista e, acima de tudo, um grande benemérito, afirma-o, com toda a convicção, a população de Barreiros.
Visitámos, também, casas senhoriais que ainda hoje ostentam o brilho e opulência de outros tempos, e outros monumentos que albergam um néctar produzido nestas terras e esse néctar é fruto das videiras e do trabalho do homem.
Por escassas horas ligámo-nos às pessoas e admirámos os laços que os ligam à terra que pisam
e trabalham com o suor dos dias, às árvores e aos montes, às fragas e penedos, às nascentes e aos rios, aos vizinhos, às memórias e lendas, aos saberes, artes e tradições...

Regressámos com os olhos cheios e o coração afagado com a ternura desta gente que abre os braços e a porta para receber, à boa maneira transmontana, quem vier por bem.














































sexta-feira, 17 de março de 2017

Prenunciando a chegada da Primavera, as amendoeiras em flor cobrem certas zonas do país



Prenunciando a chegada da Primavera, as amendoeiras em flor cobrem certas zonas do país, de branco, num espectáculo deslumbrante e inesquecível.
Um manto frágil, que qualquer brisa o faz mover, rosado e branco espraia-se pelas terras sobre os campos cultivados.

No Algarve, o especial colorido conferido à paisagem pelas exuberantes amendoeiras, lembra as mesmas flores que em tempos encantaram uma certa princesa nórdica, citada na lenda mourisca das amendoeiras em flor.
Segundo esta história de encantar, no tempo em que o Al-Gharb pertencia aos árabes, reinava em Silves o jovem califa Ibn-Almundim, que se apaixonou e casou com Gilda, filha de um grande senhor dos povos do Norte, derrotado em combate pelo rei mouro.
Amor que era correspondido, pelo que o casamento foi uma grande festa, mas a bela princesa, foi a cada dia entristecendo, sem que o califa lhe arrancasse um único sorriso. Vieram magos e sábios de todo o mundo, mas ninguém conseguia encontrar cura para aquela dor.

Até que um velho nórdico disse ao rei que Gilda tinha saudades da brancura dos campos cobertos de neve, existentes no seu país. Ibn-Almundim mandou então plantar milhares de amendoeiras junto às janelas do palácio, que, quando florissem, cobririam as terras com pétalas brancas, iludindo a saudade da princesa e devolvendo-lhe a alegria.
















































quinta-feira, 16 de março de 2017

Não me peçam razões, que não as tenho



Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos.


Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há-de vir.


José Saramago



























































quarta-feira, 15 de março de 2017

A cegonha nos céus conhece as suas estações




A CEGONHA MIGRA NA HORA CERTA


O profeta Jeremias escreveu: “A cegonha nos céus conhece as suas estações.” Na região onde Jeremias morava, dava para observar a migração das cegonhas. Um relatório mostrou que, durante uma primavera, mais de 300 mil cegonhas-brancas migraram da África para o norte da Europa, passando pelo vale do Jordão. Assim como outras aves migratórias, as cegonhas “se apegam ao tempo do seu retorno”. (Jeremias 8:7) É como se elas tivessem um relógio interno com um alarme que dispara na hora certa. Assim, milhares de aves voltam para casa para passar o verão.

O Atlas Collins da Migração das Aves * diz: “O mais incrível é que a migração das aves ocorre de modo instintivo.” Jeová Deus criou as aves migratórias com uma sabedoria natural. Elas conhecem as estações por instinto. Nós também podemos discernir o tempo em que vivemos. (Lucas 12:54-56) Só que, diferente das cegonhas, não fazemos isso por instinto. Precisamos do conhecimento de Deus para entender em que época estamos vivendo. Nos dias de Jeremias, os israelitas não prestaram atenção ao que estava acontecendo em volta deles. Deus explicou qual era o problema: “Eles rejeitaram a palavra de Jeová; que sabedoria eles têm?” — Jeremias 8:9.















































terça-feira, 14 de março de 2017

Quatro anos de Papa Francisco_quatro anos de um Papa sorridente



Do fim do mundo, como disse o cardeal Bergoglio, o primeiro Papa sul-americano chegou ao trono de Pedro há quatro anos.


Há quatro anos o fumo branco que saiu da chaminé da Capela Sistina anunciava um Papa de primeiras vezes. O primeiro latino-americano, o primeiro nascido no Hemisfério Sul, o primeiro jesuíta. O arcebispo de Buenos Aires Jorge Bergoglio tornava-se então o Papa Francisco - "foi por causa dos pobres que pensei em Francisco", explicou mais tarde aos jornalistas. "Parece que os meus irmãos cardeais foram buscar-me quase até ao fim do mundo", disse o Papa quando assomou à varanda do Vaticano depois de ter sido eleito no conclave. Ao longo destes quatro anos, o sumo-pontífice viajou por vários continentes, não se coibiu de expressar os seus pontos de vista, escreveu duas encíclicas, foi polémico e foi popular. O sorriso mantém-se quase sempre presente desde o início.