Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Palhada no Domingo Gordo


O Carnaval é a festa mais animada e representativa do povo. É por isso que pouco tempo depois do Natal, começa a sua preparação, onde tudo é pretexto para uma reunião à volta da mesa:

É o Domingo Magro, o Domingo Gordo, as Comadres, os Compadres, o Sábado Filhoeiro... refeições confeccionadas, todas elas, à base das carnes de porco. Lá diz o povo:

"No porco tudo é bom, desde o focinho até à ponta do rabo" e

"No Entrudo come-se tudo".

Estes excessos, em termos alimentares, antecedem um tempo de penitência e abstenção - a Quaresma.

Em minha casa celebrou-se o Domingo Gordo com um prato tradicional - Palhada.

Há quem lhe chame cascas, casulos, palha, palheiro...

Não é mais do que o feijão seco dentro da vagem.

Fica uma ténue amostra, porque eu, em termos culinários, deixo muito a desejar!

O meu relacionamento com os tachos não é o melhor...

6 comentários:

Armando Sena disse...

Bem apetitoso que está. Com este tempo frio vem mesmo a calhar. Bom apetite.

José Doutel Coroado disse...

Cara Profª Graça,
está com um aspecto divinal!
Nada como um bom prato destes para arranjar forças para o desfile do carnaval.
abs

Maria Saudade disse...

Há quantos anos eu não ouvia falar na palhada.
Obrigada por me trazer mais esta recordação.

Paulo C disse...

A Graça a cozinhar é coisa do outro mundo!
Alguém comeu essa palhada que tu fizeste?
Não lhe aconteceu nada?

Anónimo disse...

Para comer uma reles palhada é preciso prato de porcelana e toalha de linho e croché. Não há nada como realmente...
A prof. Graça sabe destas coisas.
Também ela só se relaciona com finesse.

Graça Gomes disse...

Ó anónimo, eu estou seriamente preocupada contigo. Essa tua fixação em tudo que me diz respeito chega a ser doentia.
Trata-te enquanto é tempo...