Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Lebução, lugar das minhas raízes e das minhas recordações




Em Lebução, a minha terra natal, lugar das minhas raízes e das minhas recordações, eu cresci, a ouvir o canto da cotovia e do rouxinol e o som dos chocalhos, pelos caminhos estreitos, quando os rebanhos recolhiam do pasto. Caminhei no silêncio dos pinhais, sempre com medo das almas penadas que, diziam, andavam pelo mundo para nos atormentar. Foi aqui que festejei muitos Natais com a família reunida e as Páscoas de todos os anos, quando a natureza despertava do longo inverno. Acordei, vezes sem conta, no Verão, com os carros de bois a chiar na calçada, carregados de pão, depois das ceifas.
Assisti a festas, procissões, ladaínhas e à encomendação das almas, em novembro, quando os dias começam a ficar mais e mais pequenos.
Nas ruas da minha terra ainda há marcas, deixadas pelos meus pés, pequenos, quando ao som do toque das Trindades, corria para casa. Era a hora de recolher, dos mais novos, e do sol se esconder para lá do alto de Fiães.
É esta aldeia, a aldeia da minha vida, que está ligada às rezas que ouvi em criança ao serão, às cantigas que aprendi, às histórias que ouvi contar e a toda a tradição que me envolveu, de que guardo gratas memórias.
É, também, com mágoa, com imensa dor, que digo - já não temos muito tempo para salvar as nossas aldeias. Não está em causa a simples preservação de algumas casas de arquitetura tradicional ou certos usos, costumes e tradições. O que está em causa é uma grande parte da nossa identidade cultural e um património que, pouco a pouco, se vai degradando, caminhando para a completa descaracterização ou, mesmo, extinção.
É urgente despertar consciências, para que se encare o mundo rural como parte integrante deste país, velho de séculos, tendo presente a nossa riqueza como povo, e o seu legado, que nos torna únicos, num mundo que caminha, a passos largos, na direcção da globalização, do pensamento único _ uma verdade de contornos trágicos. Se nada for feito, daqui a poucas décadas, teremos um país litoral de subúrbios e de gente desenraizada, e um interior despovoado, com uma paisagem feita de eucaliptos, carvalhos e acácias. As silvas, os tojos, e as giestas vão cobrir o que resta das nossas aldeias, as aldeias das nossas vidas.





















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