Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Marmeleiros, marmelos e marmelada





Se tudo correr bem, estas flores, vão transformar-se em frutos, assim o tempo dê de feição, e afaste as trovoadas de Maio que, muitos anos, tudo assastam para desespero dos lavradores.
São flores de marmeleiro, esta árvore originária do centro e do sudoeste Asiático. Alguns autores consideram que esta espécie teve a sua origem na cidade de Cydon situada na ilha de Creta na Grécia, tendo sido domesticado pelos Gregos em 700 a. C.
Actualmente ainda existem formas selvagens do marmeleiro nalgumas regiões do Sul da Grécia, Itália e França.
Foi introduzido no continente Americano pelos colonizadores portugueses e espanhóis. O marmeleiro é uma espécie muito cultivada desde a antiguidade. É utilizado no preparo de doces e compotas. Do marmeleiro extrai-se a vara de marmelo, instrumento de punição muito usado no passado e ainda em uso em algumas localidades. Em Portugal não muito consumidos crus, mas cozidos, para fazer marmelada e assados.
Combate as diarreias das crianças, amacia e acalma a pele e as mucosas inflamadas e é útil em constipações e bronquites. O marmelo é um fruto com excelentes propriedades medicinais, sendo por isso utilizado contra a tosse e as diarreias, mas também como fortalecedor do aparelho digestivo. O fruto e o seu sumo podem ainda ser utilizados como elixir oral contra aftas, problemas de gengivas e dores de garganta. Quando cozinhado, o marmelo perde grande parte das suas propriedades.

Com apenas 39 calorias, é um fruto recomendado a pessoas com restrições alimentares, consequentes de problemas de saúde, como excesso de peso ou diabetes. As sementes podem ser utilizadas em inflamações cutâneas, queimaduras e hemorróides.
Já o xarope de marmelo funciona como uma bebida digestiva, diminui a dor e ajuda a parar hemorragias.
As flores da árvore - o marmeleiro - são comestíveis e podem utilizar-se em saladas e na confecção e decoração de diversos pratos.
O marmelo é muito rico em água, vitamina C e pectinas.


















1 comentário:

Anónimo disse...


Porque hoje faz CEM anos que nasceu um poeta que, além de muito querer à NORMANDIA TAMEGANA, falava sempre com saudade (e vontade de trincar) da «SÊMEA de LEBUÇÃO», peço licença para aqui deixar um dos seus poemas:



A FLOR

Em que jardim florescem
Para além deste Inverno
Prolongado
A túlipa escondida
A rosa descoberta
Com a brisa a trazer-me
O seu perfume
E o sol a dar-lhes cor?
Em que horto
De peregrina formosura
Se esconde essa beleza
Dos tempos de ventura
Em que eu colhia a flor?

Edgar Carneiro, in “Depois de amanhã”


Luís Fernandes