Na minha terra e pelo meu concelho fora, em certos dias escuros de Inverno, a bruma é densa, cinzenta, gelada e profunda. E quando o vento se envolve e nos envolve nesse manto húmido e gelado, a neblina cola-se, como se tratasse de um segundo vulto, que nos impede os movimentos, fazendo retardar a marcha.
E a escuridão que nos cerca, que nos retém, muitas vezes, em casa, faz com que as pessoas, desesperadas, digam mal dos seus pecados, em tom de lamento:
-- maldita névoa, com tanto que eu tenho para fazer e estou aqui, dentro de casa, como uma fidalga/o.
E é nessa escuridão, de um frio Janeiro com a aldeia ainda adormecida, que se ouve o sino, único som neste silêncio ensurdecedor, tocar à oração da manhã, qual toque de alvorada, quando, à volta da igreja, a névoa é de cortar à faca.
Depois da reza, ouve-se, em tom baixo, sussurrado, nas casas da minha terra:
-- Louvado seja Deus, começou mais um dia!
Que ele seja de trabalho, paz e alegria.
Assim seja - é a resposta.



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