Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

domingo, 26 de janeiro de 2014

Um manto de nevoeiro cobriu a minha terra




Na minha terra e pelo meu concelho fora, em certos dias escuros de Inverno, a bruma é densa, cinzenta, gelada e profunda. E quando o vento se envolve e nos envolve nesse manto húmido e gelado, a neblina cola-se, como se tratasse de um segundo vulto, que nos impede os movimentos, fazendo retardar a marcha.

E a escuridão que nos cerca, que nos retém, muitas vezes, em casa, faz com que as pessoas, desesperadas, digam mal dos seus pecados, em tom de lamento:
-- maldita névoa, com tanto que eu tenho para fazer e estou aqui, dentro de casa, como uma fidalga/o.
E é nessa escuridão, de um frio Janeiro com a aldeia ainda adormecida, que se ouve o sino, único som neste silêncio ensurdecedor, tocar à oração da manhã, qual toque de alvorada, quando, à volta da igreja, a névoa é de cortar à faca.
Depois da reza, ouve-se, em tom baixo, sussurrado, nas casas da minha terra:
-- Louvado seja Deus, começou mais um dia!
Que ele seja de trabalho, paz e alegria.
Assim seja - é a resposta.





















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