Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

terça-feira, 6 de maio de 2014

Por caminhos bordados de tojos, giestas e silvas




Quando o sol ainda vai alto, e os bichos saem da toca, entro no caminho bordado de tojos, giestas e silvas, muitas silvas, que se estendem pelas paredes de pedra tosca, irregular e rija, num abraço apertado, asfixiante.
 Ao longe as águas murmurantes do Calvo, correndo tranquilamente, sem pressas, sem atropelos. 
Cobre-nos um céu azul, muito azul, onde pequenas nuvens de algodão se acomodam, para dar mais beleza ao quadro. E aves, muitas aves, tontas, cruzam-se nos ares, e animam a terra com os seus trinados, numa sinfonia de muitos chilreios. 
No meio está a cancela, bela, simples e original, como simples são as mãos que a conceberam e executaram, porta de entrada para a frescura do lameiro. 
Depois é a vida do campo e todos os sons que imergem da terra: 
os gritos do pastor para juntar o rebanho; 
o ladrar do cão, desesperado, tentando juntar uma ovelha tresmalhada; 
o coaxar das rãs, no lago, atirando-se à água, ruidosamente ...  as vozes, o trabalho, as cantigas, os chocalhos...
Ao longe, lá no alto, os montes pedregosos, onde o sol nasce, debruçam-se sobre a cancela e sobre o Calvo, que canta de pedra em pedra, uma melodia de frescura e limpidez.
Este quadro de tranquilidade é quebrado quando se ouve, vindo de Nozelos, ou será de Tronco? o toque das Trindades.























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