Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

sábado, 12 de julho de 2014

Os pêssegos o lavrador e os filhos





Os pêssegos



Um lavrador que tinha quatro filhos trouxe-lhes um dia cinco pêssegos magníficos. Os pequenos, que nunca tinham visto semelhantes frutos, extasiaram-se diante das suas cores e da fina penugem que os cobria. À noite o pai perguntou-lhes:

―Então comeram os pêssegos?

―Eu comi, disse o mais velho. Que bom que era! Guardei o caroço, e hei-de plantá-lo para nascer uma árvore.»

―Fizeste bem, respondeu o pai, é bom ser económico e pensar no futuro.»

―Eu, disse o mais novo, o meu pêssego comi-o logo, e a mamã ainda me deu metade do que lhe tocou a ela. Era doce como mel.»

―Ah! acudiu o pai, foste um pouco guloso, mas na tua idade não admira; espero que quando fores maior te hás-de corrigir.»

―Pois eu cá, disse um terceiro, apanhei o caroço que o meu irmão deitou fora, quebrei-o, e comi o que estava dentro, que era como uma noz. Vendi o meu pêssego, e com o dinheiro hei de comprar coisas quando for à cidade.»

O pai meneou a cabeça:

[63]―Foi uma ideia engenhosa, mas eu preferia menos cálculo.

―E tu, Eduardo, provaste o teu pêssego?

―Eu, meu pai, respondeu o pequeno, levei-o ao filho do nosso vizinho, ao Jorge, que está coitadinho com febre. Ele não o queria, mas deixei-lho em cima da cama, e vim-me embora.

―Ora bem, perguntou o pai, qual de vós é que empregou melhor o pêssego que eu lhe dei?

E os três pequenos disseram à uma:

―Foi o mano Eduardo.

Este no entanto não dizia palavra, e a mãe abraçou-o com os olhos arrasados de lágrimas.


(Guerra Junqueiro)



































1 comentário:

Anónimo disse...


L O R P A ! - chamaram ao Eduardo (os banqueiros, os traficantes, os vigaristas, os oportunistas e os «tachistas» da política).


Luís Henrique Fernandes