Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

terça-feira, 7 de abril de 2015

Entre, entre quem é, que a porta está sempre aberta!






"Entre quem é".
O convite surge e o tom é evocado um pouco por toda a terra transmontana, mas assume um sentido especial em Lebução, onde ainda hoje se conservam muitos hábitos e costumes das primitivas comunidades agro- pastoris. Os hábitos comunitários são aqui muito visíveis no amanho da terra e em todos os trabalhos relacionados com a agricultura e o pastoreio.
Algumas habitações de arquitectura tradicional fazem parte da história desta comunidade, uma forma de saber fazer para transmitir às gerações vindouras, e esta arquitectura tradicional assenta, sobretudo, no granito.
Todavia, estas construções mais antigas têm sido, progressivamente, destruídas em prol do tijolo. No entanto, a aldeia ainda sustenta um núcleo considerável e disperso destas habitações tradicionais.
E nestas casas há objectos quase invisíveis, que acompanharam gerações, no seu quotidiano, e fazem parte da história familiar e local.

Atravessaram séculos, nas portas, inseridos num sistema de comunicação ancestral que, simbolicamente, contribuía para proteger/ franquear a porta da casa aos visitantes – os garabelhos - objectos rudimentares, toscos, executados por mãos calejadas, que os conceberam e lhes atribuíram funções.
Quando as portas não tinham chave, eram os garabelhos que mantinham as casas fechadas e, ao mesmo tempo, abertas para quem "viesse por bem"...
E a recepção era sempre a mesma:
Entre, entre quem é, que a porta está sempre aberta!









































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