Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Quem dis­tin­guia melhor o invi­sí­vel de mim



Mãe
Fui vê-la.
Sorriu.
O seu olhar
dis­tin­guia melhor
o invi­sí­vel de mim.

Peguei-lhe na mão,
vol­tou a sorrir.

A ela disse
o meu nome,
a idade
e apertei-lhe
de novo
as duas mãos.

Com os olhos vagos
sem me ver
can­tou bai­xi­nho
uma canção

e espe­rei.

Espe­rei
que os seus olhos
se qui­ses­sem cru­zar
com os meus.

O tempo pas­sou
e ao pas­sar
vi um anjo
entrar na sala
devagar.

As nos­sas mãos
fei­tas de raí­zes
leva­ram tempo
a despegar.

O anjo pousou.


Sem se apres­sar,
pegou-lhe na mão


para a levar.


 Rita Roquette de Vasconcellos



Este lindo e sentido poema, foi postado, há meses, no blogue colectivo "Escrever é triste",  Como eu gostava de o ter escrito! E não seria dedicado à minha mãe, que partiu há tantos anos, que já não consigo distingui-la, entre os milhões de estrelas do céu. Dedicá-lo-ia à minha querida irmã Fátima, que um dia, próximo do Natal, um anjo, ou seriam mais? veio buscá-la, devagarinho, sem pressas, e levou-a de mim. Até hoje, fiquei mergulhada nesta solidão. Perdi o meu porto de abrigo, a minha mãe segunda, a mulher forte, segura, determinada, sensível, protectora.
Infinitamente só, assim estou, porque infinita é a minha saudade.

















































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