Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Esta cancela e o perfume das flores silvestres, sempre que chega a Primavera



Eis uma cancela que se abre para Ledões, uma aldeia que há mais de cinquenta anos desapareceu, com a partida dos últimos moradores. Aqui, em Ledões, houve ruas com gente, na azáfama dos dias que não tinham fim. E essa gente viveu dores e alegrias. Cantou e dançou, em festas, em casamentos, em baptizados. Festejou Natais, no frio Inverno, com a lareira acesa e os potes a fumegar, e com o Menino Jesus sempre presente.  Festejou Páscoas quando a natureza despertava e se desdobrava em flores, para receber Cristo Ressuscitado. Chorou perdas, de pessoas e bens, sempre que a desgraça lhe bateu à porta e quando as trovoadas de Maio tudo arrastavam numa fúria destruídora. Rezou, muitas vezes em silêncio, pedindo a protecção de Deus. Rezou, também, sempre que o sino chamava o povo, ajoelhando, com fé. As ruas ainda têm marcas das procissões, do Compasso, dos cantares das segadas, das acarrejas, das mondas, das regas, da encomendação das almas. E ainda se ouvem, trazidas pelo vento,  as cantigas que pontuavam todas essas festas, todos esses trabalhos, todos esses actos religiosos.
A cancela continua lá, voltada para o mundo do nada.
Para o mundo da desertificação, do abandono das ruínas, da solidão.
Os sonhos aqui plantados foram varridos pelo vento.
As esperanças, enterradas na desolação da partida.
O que ficou de Ledões ?
Esta cancela e o perfume das flores silvestres, sempre que chega a Primavera.











































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