Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

Mostrar mensagens com a etiqueta poema de florbela espanca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poema de florbela espanca. Mostrar todas as mensagens

domingo, 10 de julho de 2016

O sol que morre tem clarões d'auroras



Tardinha... "Ave-Maria, Mãe de Deus..." 
E reza a voz dos sinos e das noras... 
O sol que morre tem clarões d'auroras, 
Águia que bate as asas pelo céu! 

Horas que têm a cor dos olhos teus... 
Horas evocadoras doutras horas... 
Lembranças de fantásticos outroras, 
De sonhos que não tenho e que eram meus! 

Horas em que as saudades, p'las estradas, 
Inclinam as cabeças mart'rizadas 
E ficam pensativas... meditando... 

Morrem verbenas silenciosamente... 
E o rubro sol da tua boca ardente 
Vai-me a pálida boca desfolhando... 


Florbela Espanca






















































segunda-feira, 2 de maio de 2016

A Nossa Casa




A Nossa Casa


A nossa casa, Amor, a nossa casa! 
Onde está ela, Amor, que não a vejo? 
Na minha doida fantasia em brasa 
Constrói-a, num instante, o meu desejo! 

Onde está ela, Amor, a nossa casa, 
O bem que neste mundo mais invejo? 
O brando ninho aonde o nosso beijo 
Será mais puro e doce que uma asa? 

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos, 
Andamos de mãos dadas, nos caminhos 
Duma terra de rosas, num jardim, 

Num país de ilusão que nunca vi... 
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti 
E tu, ó meu Amor, dentro de mim... 

Florbela Espanca










































domingo, 27 de dezembro de 2015

Rosas brancas tombando docemente



Poisa a tua cabeça dolorida 
Tão cheia de quimeras, de ideal 
Sobre o regaço brando e maternal 
Da tua doce Irmã compadecida. 

Hás de contar-me nessa voz tão q'rida 
Tua dor infantil e irreal, 
E eu, pra te consolar, direi o mal 
Que à minha alma profunda fez a Vida. 

E hás de adormecer nos meus joelhos... 
E os meus dedos enrugados, velhos, 
Hão de fazer-se leves e suaves... 

Hão de poisar-se num fervor de crente, 
Rosas brancas tombando docemente 
Sobre o teu rosto, como penas d'aves... 


Florbela Espanca






























































segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A luz desmaia num fulgor d'aurora




A luz desmaia num fulgor d'aurora, 
Diz-nos adeus religiosamente... 
E eu, que não creio em nada, sou mais crente 
Do que em menina, um dia, o fui... outrora... 

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora 
Tenho bênçãos d'amor pra toda a gente! 
Como eu sou pequenina e tão dolente 
No amargo infinito desta hora! 

Horas tristes que são o meu rosário... 
Ó minha cruz de tão pesado lenho! 
Meu áspero e intérmino Calvário! 

E a esta hora tudo em mim revive: 
Saudades de saudades que não tenho... 
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive... 

Florbela Espanca















































domingo, 25 de outubro de 2015

Bendita essa canção que acalentou da tua vida o doce alvorecer




Bendita seja a Mãe que te gerou.” 
Bendito o leite que te fez crescer 
Bendito o berço aonde te embalou 
A tua ama, pra te adormecer! 

Bendita essa canção que acalentou 
Da tua vida o doce alvorecer ... 
Bendita seja a Lua, que inundou 
De luz, a Terra, só para te ver ... 

Benditos sejam todos que te amarem, 
As que em volta de ti ajoelharem 
Numa grande paixão fervente e louca! 

E se mais que eu, um dia, te quiser 
Alguém, bendita seja essa Mulher, 
Bendito seja o beijo dessa boca!! 


Florbela Espanca 




















































sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Quando a noite de manso se avizinha




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

 Quando me lembra: esse sabor que tinha
 A tua boca... o eco dos teus passos... 
O teu riso de fonte... os teus abraços...
 Os teus beijos... a tua mão na minha... 

Se tu viesses quando, linda e louca,
 Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
 E é de seda vermelha e canta e ri

 E é como um cravo ao sol a minha boca...
 Quando os olhos se me cerram de desejo...
 E os meus braços se estendem para ti... 

Florbela Espanca













































terça-feira, 23 de junho de 2015

Sou a charneca rude a abrir em flor!





Enche o meu peito, num encanto mago, 
O frêmito das coisas dolorosas... 
Sob as urzes queimadas nascem rosas... 
Nos meus olhos as lágrimas apago... 

Anseio! Asas abertas! O que trago 
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas 
Murmurar-me as palavras misteriosas 
Que perturbam meu ser como um afago! 

E nesta febre ansiosa que me invade, 
Dispo a minha mortalha, o meu burel, 
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade... 

Olhos a arder em êxtases de amor, 
Boca a saber a sol, a fruto, a mel: 
Sou a charneca rude a abrir em flor! 

Florbela Espanca

















































quinta-feira, 14 de maio de 2015

Chamas subindo ao alto nos meus versos, papoilas nos meus lábios a florir!



A mocidade esplêndida, vibrante, 
Ardente, extraordinária, audaciosa. 
Que vê num cardo a folha duma rosa, 
Na gota de água o brilho dum diamante; 

Essa que fez de mim Judeu Errante 
Do espírito, a torrente caudalosa, 
Dos vendavais irmã tempestuosa, 
- Trago-a em mim vermelha, triunfante! 

No meu sangue rubis correm dispersos: 
- Chamas subindo ao alto nos meus versos, 
Papoilas nos meus lábios a florir! 

Ama-me doida, estonteadoramente, 
O meu Amor! que o coração da gente 
É tão pequeno... e a vida, água a fugir... 

Florbela Espanca












































sábado, 4 de outubro de 2014

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos




A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim! ...
Milagre ... fantasia ... ou, talvez, sina ...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha’alma
E nunca, nunca mais eu me entendi ...

Florbela Espanca





























terça-feira, 23 de setembro de 2014

Se é sempre Outono o rir das Primaveras





Se é sempre Outono o rir das Primaveras, 
Castelos, um a um, deixa-os cair... 
Que a vida é um constante derruir 
De palácios do Reino das Quimeras! 

E deixa sobre as ruínas crescer heras, 
Deixa-as beijar as pedras e florir! 
Que a vida é um contínuo destruir 
De palácios do Reino das Quimeras! 

Deixa tombar meus rútilos castelos! 
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los 
Mais alto do que as águias pelo ar! 

Sonhos que tombam! Derrocada louca! 
São como os beijos duma linda boca! 
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar. 

Florbela Espanca



























sábado, 16 de agosto de 2014

A luz desmaia num fulgor de aurora



Anoitecer

A luz desmaia num fulgor de aurora,
Diz-nos adeus religiosamente...
E eu que não creio em nada, sou mais crente
Do que em menina, um dia, o fui... outrora...

Não sei o que em mim ri, o que em mim chora,
Tenho bençãos de amor pra toda a gente!
E a minha alma, sombria e penitente,
Soluça no infinito desta hora...

Horas tristes que vão ao meu rosário...
Ó minha cruz de tão pesado lenho!
Ó meu áspero intérmino Calvário!

E a esta hora tudo em mim revive:
Saudades de saudades que não tenho...
Sonhos que são os sonhos dos que eu tive...

Florbela Espanca