Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Porco de Santo António

Na tradição popular, Santo António é o protector dos animais, dum modo muito especial de todos os suínos. É a este Santo que a gente da minha terra recorre/recorria, implorando o seu auxílio, quando algum destes animais adoecia, vítima de qualquer maleita, ou de mau olhado, mal de quem olha com inveja.

Nesses tempos havia uma grande disputa entre os lavradores para ver quem conseguia chegar ao dia da matança com o animal mais corpulento, aquele que apresentasse mais peso.

Nesse sentido, para implorar a Sua protecção faziam-se promessas a Santo António que eram pagas por esta altura, quando o fumeiro já estava seco.

Era vulgar, aos Domingos, depois da missa, no adro da Igreja, um homem leiloar as mais diversas peças: Salpicões, linguíças, pés, orelheiras... e o produto desse leilão revertia para o Altar do Santo, para a sua manutenção.

Muitas vezes quando as porcas estavam a parir e as coisas não estavam a correr bem, as mulheres prometiam um porquinho ao Santo protector. Depois de um certo tempo, tal facto era comunicado à aldeia e o porquinho, com um chocalho ao pescoço, corria ruas e becos à procura de comida e entrava em todos os currais, que o acolhiam e alimentavam. Não tinha dono nem casa, melhor dizendo, o dono era o Santo e a casa era a rua, embora todas as portas se abrissem à sua passagem.

Neste momento as memórias tomaram conta de mim. Estou a ver-me menina pelas ruas da minha terra, quase sempre acompanhada da minha prima Mimi e da Lena Salgado, companheiras de grandes aventuras e de muitas brincadeiras.

Chegava a casa ao toque das trindades, cansada da corrida e ouvia a minha mãe dizer com um sorriso meigo e ao mesmo tempo trocista:

Chegou o porco de Santo António. Só lhe falta o chocalho!