Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

domingo, 10 de janeiro de 2010

Bairro Dos Fortes Integração Com Sucesso


A aldeia de Lebução é constituída por um amontoado de casas que se aninham à volta da igreja, a que podemos chamar zona histórica, e por bairros, alguns bem fora de portas.
Este é o Bairro dos Fortes e tem uma particularidade muito importante: os residentes, na sua maioria, são famílias de etnia cigana que se instalaram há vários anos em Lebução e que convivem harmoniosamente com a população local, a quem eles chamam "aldeanos".
Ciganos e aldeanos formam um todo coeso, prezando e respeitando as regras de boa vizinhança
O seu espaço de habitação não está confinado a esse bairro. Foram construíndo por toda a aldeia, com a ajuda do Município, e vivem paredes meias com os aldeanos. São ordeiros, trabalhadores e fazem-se à vida para dar o melhor às famílias numerosas que constituem. Alguns adquiriram pedaços de terra e fizeram-se lavradores. Mas, também, trabalham nas obras, são jeireiros na limpeza das ruas e caminhos, vão para a terra quente à apanha da azeitona...

Há anos entreguei o «meu currículo» na Câmara Municipal de Valpaços para elaboração duma nota biográfica destinada a uma publicação minha. Essa obra apresentava alguns dos conteúdos de um trabalho realizado na Licenciatura em Educação, no âmbito da disciplina Utensílios e Meios de Comunicação, do Docente Drº Alexandre Parafita.
A Dª Anália de Sousa, a quem foi confiada essa tarefa e outras relacionadas com a publicação, terminou assim a nota biográfica:
" Em todos estes anos de trabalho, projectos, e eventos dedicados aos mais pequenos aquele que mais a marcou foi a inserção e aceitação da comunidade cigana da sua terra natal pela comunidade escolar."
E eu acrescento - É a minha coroa de glória!

Lebução, com o apoio incondicional da Autarquia, é um exemplo, um excelente exemplo a seguir por muitos, do que é uma integração com sucesso.

6 comentários:

celestino disse...

Aqui por Lebução não é só blabla. As coisas, as coisas boas, acontecem, de facto. Eis uma grande lição dos Lebuçanenses ao resto do País e, por que não, à sede de concelho, onde, como se sabe, a "integração" não "inclui". Simplesmente atirou essa gente para um ghetto e criou problemas onde, antes, não existiam.

José Doutel Coroado disse...

Cara Profª Graça,
faço minhas as palavras de Celestino. e acrescento: os apoios sociais 8seja dos municípios seja do RSI e outros, têm de ter acompanhamentos vários de forma a que esse investimento da sociedade (porque somos todos que os pagamos) se transforme em mais valias para aqueles que, ainda que temporariamente, deles necessitam.
Abraço

Leandro disse...

A criação dos denominados ghettos e bairros sociais e alvo de muita polemica e de diferentes opiniões e nao creio que seja tao linear como salientaram antes de mim.

Os ciganos de Lebução ao menos são pessoas que me parecem honestas e trabalhadoras e isso é meio caminho andado para uma boa integração no meio social onde residem. Espero que assim seja sempre!

Afonso Carneiro disse...

O racismo com que os ciganos se confrontam todos os dias é por demais evidente, de Lebução a Águas Santas,passando por Oleiros ou Francelos, depois há aqueles que respeitam e ajudam a integrar estas minorias, são poucos, muito poucos...Como tu minha amiga. Invejo-te, por não poder dizer, esta também é a minha coroa de glória...

Um beijo
Até qualquer dia.
Afonso Carneiro

Armindamoreira disse...

AMIGA Graça:
Há cerca de 30 anos tive a felicidade de passar por Lebução e de conviver de perto com gente verdadeiramente maravilhosa .Refiro-me à colega Graça e seus familiares que sempre me trataram como um membro da família. Também na escola, que muitas vezes visitei, era notória a forma como a Professora Graça tratava os seus meninos. Era uma escola inclusiva onde todos os alunos, alguns dos quais ciganos,eram tratados de igual forma. Acho que tinha muito orgulho nos seus "ciganitos" e lutava para que os seus direitos fossem respeitados por toda a comunidade escolar.Vejo que o seu ideal se mantém e por isso faz questão de tornar pública essa realidade que se vive em Lebução nomeadamente no Bairro dos Fortes. Bem haja Graça!
Grande abraço
Arminda Moreira

Graça Gomes disse...

Olá, Arminda!
Bem-vinda a este espaço.
Relativamente à sua estadia por estas bandas , todos ficámos a ganhar. O melhor de tudo é esta amizade que perdura contra ventos e marés.
Mas não podemos esquecer as merendolas em Rebordelo, a "Nuvem Passageira", as canções do Teotónio e o escadório da Elsa.
Santa ignorância de pessoas que se julgam tão inteligentes!
É como eu digo, Arminda:
Presunção e água nas bentas...
Um beijo