
Os três Reis Magos, Gaspar, Baltazar e Belchior, vieram do Oriente visitar o Menino Jesus. Já perto de Belém não sabiam qual seria o primeiro a dar o presente ao Menino. Vendo a dúvida dos Reis, diz a lenda, um homem mandou fazer um bolo e colocar dentro uma fava. Esse bolo seria dividido em três pedaços e quem ficasse com a fava seria o primeiro a entregar o presente ao Menino Deus. Daí para a frente esse bolo ficou conhecido como Bolo dos Reis Magos ou, simplesmente, Bolo-Rei. Por isso o bolo tem a forma de uma coroa, onde a côdea simboliza o ouro, o miolo a mirra e o aroma o incenso, presentes oferecidos pelos reis ao Menino Jesus.
Em Lebução a quem sair a fava do Bolo Rei terá que o pagar no ano seguinte. É uma tradição que ainda se vai mantendo.
O dia de Reis comemora-se hoje, dia 6 de Janeiro.
Já de noite grupos de pessoas juntam-se e vão pelas portas dos amigos cantar os Reis, canções tradicionais da vida de Jesus e saudações e louvores à família homenageada e donos da casa.
O canto é acompanhado por instrumentos populares como: os ferrinhos, o bombo, o acordeão... Depois de cantarem, os donos da casa, convidam os cantadores para entrar e oferecem-lhes comida e bebida.
Em Lebução cantam-se, ou cantavam-se, assim os Reis:
Inda agora aqui cheguei
Puz o pé nesta escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada
Refrão
Alegres festas
lhe vimos dar
E o Deus Menino
A acompanhar
Alegres festas
lhe vimos dar
E o Deus Menino
a acompanhar
Quem diremos nós que viva
Cravinho branco ao peito
Viva o dono desta casa
Que é um homem de respeito
( Refrão)
Quem diremos nós que viva
Entre o calor e a brasa
Viva lá a senhora Joana
Que alumia toda a casa
( Refrão)
Quem diremos nós que viva
Por cima do meu chapéu
Viva lá a menina Rita
Qué um anjinho do céu
(Refrão)
Se nos querem dar os reis
Não estejam a demorar
Nós somos de muito longe
Temos caminho prá andar
(Já depois de terem comido e bebido, os cantadores despediam-se da casa, assim:)
Despedida, despedida
Diz a cereja ao ramo
Também nós nos despedimos
Queira Deus que dhoje a um ano.
(Algumas vezes, sabe-se lá porquê, a porta de casa não se abria e então a despedida era bem diferente:)
Estes Reis que aqui cantemos
Tornemos a descantar
Estes barbas de farelo
Não têm nada que nos dar.
Esta última informação, que inclui as duas quadras de despedida, foi-me facultada pelo meu amigo Afonso Lavrador Carneiro que a ouviu contar/cantar a sua mãe, Ana Lavrador.
13 comentários:
Lindo...ao som de um acordeão soa divinal
Graça,
Vê por favor se estes versos podem rematar a cantiga de Reis:
Despedida, despedida
diz a cereja ao ramo
também nós nos depedimos
queira deus que de hoje a um ano.
Estas seriam as despedidas se o cantar dos Reis fosse bem sucedido.
Ou,se fosse mal sucedido:
Estes Reis que aqui cantemos, tornemos a descantar,
estes barbas de farelo,
não tem nada que nos dar.
Estes versos foram ditados pela minha Mãe.
Desta forma, sim, deve ser mantida e revivida a tradição.
Aqui pela sede do concelho transformaram a tradição naquilo a que eu chamo a pedinchice (tudo anda à procura do vil metal). E não lhes basta o dia de Reis. è antes e depois.
Espero que não te saia a fava, minha amiga.
Viva o menino Celestino
Os anos que ele deseja
Viva também uma rosa
Que recebeu na igreja!
(Estava feita se o teu casamento fosse só civil! Bem podia meter a viola no saco...)
Um beijo
Quem diremos nós que viva
Entre o calor e a brasa
Viva lá o menino Bruno
Qué a alegria da casa.
Estava à espera que me cantasses os Reis a mim, mas tu só te relacionas com arquitectos e advogados.
Tenho pena, tenho mesmo muita pena.
Prof. Graça,
Mais uma vez encantado com este blogue, onde se descobrem “cousas nobres de outrora”.
Fico sempre maravilhado com a sabedoria, arte e engenho das histórias e cantares populares. Nesta época de Reis, são muitos os cânticos que nos trazem à memória as brincadeiras desta quadra e as letras tipificadas dos nossos antepassados. Aqui bem perto de Lebução, na maravilhosa terra de Sonim, lembro-me várias vezes de cantar os Reis. Havia inclusive quem, em tom de brincadeira, tivesse alheiras de pão em casa para distribuir por aqueles cantores que lhes fossem bater à porta.
No entanto, nós, crianças na altura, éramos muito práticos e incisivos. Os nossos cantares resumiam-se ao "quiqueriquiqui, se não nos dão os Reis mijêmos-lhe aqui"... e resultava.
Levávamos sempre a cesta cheia para casa...
Bem!!!..., nem sempre...
Por vezes ia cheia das ditas alheiras de pão.
P.S. (OBRIGADO PELA QUADRA QUE ME DEDICOU)
É sempre muito agradável, Bruno, ver os teus sábios e sentidos comentários. Também tu tens uma forte ligação à aldeia, Sonim, onde tens as tuas raízes familiares.
E eu sei o quanto gostas dessa terra! Melhor, o quanto tens feito por ela.
Além de outras, temos esta afinidade: Valorizamos as nossas raízes. Temos um grande orgulho daquilo que somos, do legado dos nossos antepassados.
Obrigada por todo o apoio.
Um beijo enorme.
Esta é para o anónimo que, presumo, não o seja tanto como ele pensa:
Passava por aqui, por Lebução, há muitos anos (contou-me a minha mãe)
um ambulante, vendedor de qualquer coisa. As pessoas pediam-lhe para cantar ao que ele respondia:
Eu até canto bem, mas falta-me a cantiga.
Contigo, anónimo, acontece a mesma
coisa. Eventualmente até podes cantar bem mas, decididamente, falta-te a cantiga...
como ainda nao comentei aqui desde o ano passado...
desejo um feliz 2010 cheio de coisas boas! espero que a passagem de ano tenha sido boa!
é uma pena ver que tal festa este ano ficou meio que esquecida, já nao é como antigamente quando se juntava quase toda a gente num sitio (normalmente o café do Mário) a dançar pela noite fora...
mas bom, mesmo assim foi bom ter regressado a Lebução por uns dias e ter visto as lindas paisagens cheias de neve!
ainda andei "perdido" pelo meio do monte, indo ali pelo caminho da Rua do Bairro, a seguir á praça! gosto imenso de passear assim pelo meio da natureza, deu pra matar algumas saudades!!
Um beijo e mais uma vez, um feliz ano!!
Olá, Leandro! Já tinha saudades tuas. Um muito Bom Ano para ti, também.
Lebução, no Inverno, é mesmo assim.
Vale o podermos desfrutar das coisas boas que tem!
Já não és o primeiro que se perde para esses sítios.
Há uns anos tive que indicar a saída a um prof. da EB23 que se aventurou, de bicicleta, por esse labirinto de caminhos.
Um beijo
Prof. Graça,
Para rematar estes versos desta bela cantiga de reis, no caso de correr mal e ninguém abrir a porta, em Sonim tinha-mos o hábito de cantar assim;
Estes Reis que aqui cantemos
Tornemos a descantar
Estes barbas de farelo
Não têm nada que nos dar
Só têm um caixote velho
Onde os ratos vão "cagar".
Um beijo
Esse remate, Bruno, é excelente!
Pode ser que ainda precisemos dele este ano. Nunca se sabe.
Obrigada por todo o apoio.
Beijo
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