Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

“EL PLATERO DE LEBUÇÓN”















“EL PLATERO DE LEBUÇÓN”




“Platero es pequeño, peludo, suave;
tan blando por fuera, que se diría
todo de algodón, que no lleva huesos”-J.R.J






Acabei mesmo agora de me despedir de Hermes.
Zeus é aquele amigo de peito que traz debaixo de olho a Normandia Tamegana, embora faça há-de conta de que anda ocupadíssimo com muitas coisas ou distraidíssimo de outras tantas.
Reparou, “quase sem querer” (bem m’ou finto!), disse, neste retrato de Graça.
Sentiu umas cócegas na cova da cubata e apressou-se a chamar Hermes.
Mandou-o vir ter comigo e saber, afinal, o que é que este retrato, apresentado pela Proβessora de Lebução, estava mesmo a mostrar!
Hermes chegou aqui esbaforido.
Relançou os olhos, apurou o nariz e pôs um ar intrigado, mal entrou porta dentro.
Claro que eu bem o entendi, ó ai, ó linda, não o conhecesse já de longa data!
Mandei-o sentar-se e apresentei-lhe um copo, cheio até meio, de geropiga de Outeiro Seco.
- “Isto nem dá para a cova de um dente”! - refilou.
- Ora essa! Como se não bastassem já os ougaços de Zeus pelas iguarias, petiscos, raridades e outras perdições da NORMANDIA TAMEGANA, agora até a sua tropilha já lhe tomou o gosto! – repliquei com certo ar de vaidade e de mimo.
Vai daí, enchi-lhe o copo.
Regalei-me de ver Hermes regalado!
Mas avisei-o de que cá em casa, neste momento, não há mais nada de guloseimas da NORMANDIA TAMEGANA!
Meteu-me pena a cara com que ficou.
Abracei-o e disse-lhe:
- “Vou pedir à Proβessora de Lebução que me arranje um cabaz com uma sêmea «das tais»; uma malga de castanhas assadas por ela (é que têm uma cor e um gosto especial!); uma travessa funda cheiinha de merogos; dois frasquitos (só dois!) de compotas («das dela!»); três pimentos do vinagre («dos tais»); uma alheira, uma linguiça, uma chouriça de abóbora; e uma garrafita de um tinto de Pedome, e depois mando entregar-ta.
Mas recomendo-te que lembres a Zéfiro estar na altura de mandar melhores ventos para a NOSSA TERRA! Lá para a Páscoa ofereço-lhe, a Zéfiro, se se portar bem, um anho branco assado no forno, a saborear no Castelo de Monforte de Rio Livre”!
A cara de Hermes iluminou-se, de contente!
E desfiou, depois de entornar o segundo copo cheio, de geropiga:
- Sabes, Zeus ficou intrigado e meditabundo com esta foto onde dois animais em vias de extinção - o burreco e o aldeão transmontano - seguem serenos, numa soberba indiferença pelas avionetas e os adubos da “Monsanto”, puxando uma carroça carregada, e em equilíbrio perfeito, com o melhor fertilizante do mundo.
O pneu e o alcatrão aparecem como um salpico de modernidade numa paisagem que muito lembra a Baixa Idade Média.
Zeus perguntava-se que mistério se esconderia por entre aquela mata de carvalheiras, pinheiros, urzes e giestas, a bordejar o caminho.
-“Estrada não seria”- disse-me Zeus. “É que o carreiro estava apenas pincelado com um tom cinzento-manchado a imitar o asfalto, sem valetas, para escoar as águas, e sem linhas brancas a demarcarem o eixo da via ou a fronteira com as bermas” – murmurou Zeus.
Reparou naquele pau ao alto, na frente do carreto de esterco, e perguntou-me:
- “Hermes, achas que aquilo é um estadulho”?
Respondi-lhe que para mim só poderiam ser uns «ganchos» ou uma «forquilha» !
- “Ah”- suspirou Zeus. “Estou a pensar que seriam um bom remédio para tratar as fracas costelas e os maus fígados de «pavões de Castelões», de «lalões», «lalõezinhos» e outros «poneyzinhos de Tróia» que andam a medrar pela Normandia Tamegana”.
Pergunta lá ao meu amigo se é verdade que nessa província dos meus encantos há um presidente de Câmara, mai-la a sua cambada, que impôs aos motoristas camarários a regra de lhes considerar horas de Serviço apenas aquelas em que realmente estão a conduzir - isto é, o tempo que estiverem parados, lá na Câmara, não conta como Trabalho. Assim, só lhes é contado como tempo de horário de Trabalho as horas que ocuparem a conduzir. Para tal, quando chamados para serviços «fora de horas» e aos fins-de-semana, têm de considerar que estão apenas, e somente, a cumprir o «Horário de Trabalho»!
E olha que este presidente e a sua cambada não são «cor-de-laranja» - são «cor-de-rosa»!
Hermes, que me estás tu a contar?! – admirei-me.
- Não te admires” – diz-me Hermes. “Zeus ficou espantado pelo contraste, conforme me referiu, entre a dignidade deste homem, deste burro e desta carroça, na fotografia, e a indecente e triste figura que os trastes dos Governantes Portugueses fazem perante Deus e o Diabo”!
- Hermes, diz a Zeus que vou perguntar à Proβessora Graça, de Lebução, o nome do homem e do burro.
A estes vou mandar dizer-lhe da simpatia que motivaram em Zeus, e que, provavelmente, na Páscoa, ou lá pr’Agosto (uma vez que Zeus anda com umas dorzitas nas cruzes), na ocasião da Srª dos Remédios, vou lá chegar com Zeus para que se conheçam e fiquem amigos.
Bem, Hermes, bota lá mais um copito deste……
- «Néctar dos deuses”! – gritou-me Hermes.
Que “pimpões” ficam estes meus olímpicos amigos mal deitam a mão (e o dente) a uma qualquer guloseima da NORMANDIA TAMEGANA!





M., 27 de Janeiro de 2014
Luís Henrique Fernandes




















2 comentários:

Fe disse...

1103Qué suerte! un hermoso platero en Lebução, pena que no tenga tiempo de comer las margaritas y saborear con satisfacción y un puntito de gula, los higos, los dulces higos con su gotita de miel, o digo yo que no tendrá mucho tiempo para estas orgias gastronómicas, pero seguramente me equivoco, pues el dueño, también tiene pinta de ser suave como él, comparten su trabajo y su buen comer. Pero dejemos a los protagonistas de la instantanea y sigamos con esta costumbre de codearse, con los dioses del Olimpo, que no lo critico, cuando nos codeamos con gentes superiores y no digamos "dioses", el resultado es beneficioso para el interlocutor, lo que sí me toca profundamente,es la prometida oferta gastronómica, que para descargo de los pecados, le toca a la Sra. profesora, pobre Dña Graça, veo con pesar, que a este paso se correrá la voz, de las bondades de su cocina, sus habilidades culinarias y de los frutos de su huerta y ahí bajarán del Olimpo muchas bocas golosas, que la dejarán mermada. Tengamos confianza, el brebaje divino, ingerido por Hermes, quizás le haga dudar entre la certeza y la nebulosa del sueño. Es el precio a pagar por meterse en divagaciones, ni en el Olimpo se pueden degustar las bondades de estas tierras.

Graça Gomes disse...

É mesmo assim, Fe:
Es el precio a pagar por meterse en divagaciones, ni en el Olimpo se pueden degustar las bondades de estas tierras.
Gostei da visita e do comentário. Volte sempre que lhe aprouver.