Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Uma cancela voltada para o Caço



Numa corrida louca, sem olhar à volta, o medo dos bichos não me deixa ver claro, chego à cancela, abro-a duma só vez e já estou no Caço. Sento-me numa pedra à beira do tanque, para tomar fôlego, antes de me juntar aos meus irmãos, ocupados a ajudar o Domingos, o criado que a minha mãe trouxe de Faiões, após a morte dos tios.
 Na pia, alimentada com a água dos alcatruzes da nora, o bacalhau está a demolhar para a festança, que não tarda. O meu irmão, o Manuel, passou pela loja e tirou do fardo, acabado de abrir, a melhor folha que encontrou. A Fátima trouxe o pão e os condimentos para a merenda a quatro, contando com o Domingos, que gasta os dias no Caço e faz dele um jardim, onde nem os passarinhos poisam. Antes, porém, é necessário acabar a rega e é aqui que eu  entro em cena. Os meus irmãos destinaram-me, agora, a árdua tarefa de fazer movimentar a burra, à volta do poço, fazendo subir e descer os alcatruzes, que vertem a água na pia, onde o bacalhau perde o sal, passando de seguida para o rego que alimenta a rega.
 Esta tortura de andar à volta do poço, ouvindo o irritante chiar da nora, dura pouco, porque eu, cansada, subo para a trave que a burra puxa, fazendo com que ela anda mais devagar e a água diminua no rego. O Domingos, de sacho na mão, ameaça-me e eu fujo para o caminho, fazendo crer que vou embora. A minha Fátima, sempre atenta, conciliadora e maternal, vai buscar-me e acaba ela a dura tarefa de fazer movimentar a pachorrenta burra.
É hora de saborear o farnel e nós, à sombra da macieira, junto ao poço, estendemos a toalha e os petiscos, onde não falta a cebola, acabada de arrancar da terra.
Quando acaba a merenda e as brincadeiras, as corridas pela terra, a batatada ... e o sol já se afundou na linha do horizonte, regressamos a casa, devagar, porque o Domingos, amparado na bengala, não acompanha o nosso caminhar.
Ao longe, ouve-se o toque das Trindades. O Domingos tira a boina e começa a rezar:
O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
E Ela concebeu do Espírito Santo, respondemos em coro.
Ave Maria….
E assim, caminhando, vamos respondendo à reza, qual Ladaínha limitada a quatro, até chegar a casa.
Aí, em casa, a ladaínha vai ser outra...






















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