Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ninguém que vai no sonho o acredita



Foto de Bruno Salvador




A vida anda possessa de Poesia!
Anda prenha de mosto!
Ou é da luz do dia,
Ou é da cor do rosto, 
Ou então quer abrir-se, neste gosto 
De pão com todo o sal que lhe cabia! 
Tem narcisos de amor no coração, 
Folhas de acanto nos sentidos! 
E carícias na mão 
A espreitar dos tendões adormecidos! 
Toca-se numa pedra, e ela treme! 
Murmura-se uma prece, e a boca grita! 
A rabiça do arado é como um leme 
Sobre a terra que ondula e ressuscita! 
Quem avoluma a sombra, ou quem a teme? 
Cada presença é um hino que palpita! 
E se na estrada alguém discorda e geme, 
Ninguém que vai no sonho o acredita! 
Serás tu, Primavera? 
Tu, com frutos na rama do futuro, 
Com sementes nos pés 
E flores inúteis sobre cada muro, 
Contentes só da graça que tu és! 

      Miguel Torga 



























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