Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Onde a terra é mais simples e mais pura





Invejo a vida humilde da criatura 
Dos lugares distantes, sossegados, 
onde a terra é mais simples e mais pura
E os céus são transparentes e azulados…

Onde as árvores crescem, na beleza
Da galharia exuberante e farta,
E o sol transforma a inquieta correnteza
Num dorso rebrilhante de lagarta…

E onde os galhos são mãos cheias de flores 
e as flores taças multicores, vivas, 
servindo mel aos tontos beija-flores 
e às borboletas trémulas e esquivas… 

Desses lugares cheios de caminhos 
Como garotos, rabiscando o chão, 
E onde os homens são como passarinhos 
Que são felizes sem saber que são… 

E onde as casas, pequenas, de brinquedo, 
com os olhos das janelas, como a gente 
de dentro do aconchego do arvoredo 
olham tudo ao redor , serenamente… 

E onde o sol mais cedo, e sobre a serra 
desdobra o seu lençol feito de luz 
e acorda a seiva que intumesce a terra 
Nos campos verdes ou nos campos nus… 

Gosto desses lugares sossegados 
Onde a vida é mais simples e mais pura, 
Os céus são transparentes e azulados 
E é mais humana e humilde a criatura… 

(Poema de J.G. Araújo Jorge) 























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