Lebução fica situada em lugar alto e aprazível, na margem esquerda do rio Calvo, entre montanhas onde o tempo guardou riquezas e mistérios. A 25km da sede do concelho, goza de um clima de montanha com invernos frios, verões quentes e de paisagens deslumbrantes.

É uma aldeia tradicionalmente vocacionada para a agricultura (centeio, batata, castanha e vinho) e para o comércio de largas tradições. Em tempos remotos, Lebução, foi o centro das transacções comerciais de uma enorme área circundante, que se efectuavam por troca directa de produtos.

Monumentalmente, a Igreja abraça, do alto das suas torres sineiras, todo o casario disposto em anfiteatro e chama os fiéis à oração. É obra da renascença, de muros altos e bem alinhados, construção de uma só nave. O retábulo do altar-mor, é de apreciável valor artístico, com colunas salomónicas e motivos ornamentais e simbólicos, realçando as arquivoltas que guarnecem a abóbada polícroma da tribuna.O Orago da freguesia é S. Nicolau, mas a principal referência religiosa desta terra é Nossa Senhora dos Remédios, que tem o seu dia no calendário religioso - 8 de Setembro.

Aqui, como em todo o Nordeste de Portugal, usa-se uma linguagem oral, um conjunto de termos e expressões que, pouco a pouco, se vão perdendo com a partida dos mais idosos.

A hospitalidade está presente nas vivências diárias, marcadas por um espírito de partilha e solidariedade. A porta das casas de Lebução está sempre aberta para receber, à boa maneira transmontana, "quem vier por bem".


A ideia deste Blogue, surgiu da necessidade de preservar a identidade desta comunidade, aproximando todos os Lebuçanenses da sua terra natal.

A feira do Folar de Valpaços

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os garabelhos e a hospitalidade transmontana



O Reino Maravilhoso de Miguel Torga constitui uma das reservas naturais das tradições e costumes deste país.
Este reino de silêncio e solidão, de pedras, de altas serranias e de vales profundos, de água cristalina que brota das nascentes, moldou, em parte, esta gente. A dureza do clima e todas as vicissitudes que lhe andam associadas, em nada diminuiu este espírito hospitaleiro, com que se nasce em Trás os Montes.
Entrar nos caminhos estreitos, bordados de silvas e tojos, abraçar o silêncio desses caminhos solitários, é uma experiência para não mais esquecer, algo de misterioso e sublime, que nos aproxima das nossas aldeias.
“Entre, quem é?”, é o que dizem os transmontanos quando alguém lhes bate à porta, e esta expressão tão característica do nosso povo, reflecte a sua enorme hospitalidade.
Entra, porque a porta está sempre aberta, e já está na cozinha,  a divisão essencial, onde a família passa a maior parte do tempo, onde a dona de casa confecciona a comida e onde esta é servida.
Depois é só partilhar o pão, o vinho, o fumeiro e tudo o mais que houver, porque onde comem quatro também comem cinco.





















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